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Recortes & Go #1 - Por um mundo de empatia



"Sabem aqueles dias em que não estamos bem ou quando analisamos a nossa vida e percebemos que as coisas não estão nem próximo do que gostariamos? Ou, ainda, quando acontece algo que nos tira o chão e nos deixa sem rumo? 

Nesses momentos a tristeza é inevitável, assim como, o sentimento de impotência perante a vida, de tal maneira que a chama que nos mantêm firmes enfraquece. Precisamos, então, de pessoas capazes de se colocarem no nosso lugar e, de algum modo, sentirem a nossa dor. Ou seja, precisamos da empatia dos que nos cercam para que percebamos que não estamos sozinhos e que por mais dolorosa que seja a caminhada, chegaremos ao final.


Numa sociedade tão individualista e egoísta como a nossa, torna-se extremamente difícil encontrar pessoas empáticas. Cada um pensa na sua satisfação pessoal e na resolução dos problemas que unicamente o incomodam, de forma que não há um olhar contemplativo em relação ao todo, para que possamos perceber que a vida não se circunscreve apenas a nossa existência e que as outras pessoas também têm problemas e dores - já que são seres humanos tal como nós.

Dessa forma, para que se possa ter empatia, antes é necessário fugir do senso comum, que prega apenas valores individualistas virados para o próprio umbigo. Noutras palavras: jamais conseguiremos desenvolver empatia se o nosso mundo se circunscrever somente a nós.





No entanto, numa sociedade em que o egoísmo predomina, é difícil encontrar pessoas que realmente possuam essa capacidade de se colocar no lugar do outro. Pessoas que vão além da simpatia, que é importante, mas não supre de modo algum a falta da empatia. 
Quando estamos tristes não precisamos apenas de alguém que só saiba contar piadas e nos convide para sair. Precisamos de alguém que entenda a nossa dor, que respeite o nosso luto e que demonstre que apesar de incómoda, aquela é uma situação que faz parte da vida e que devemos enfrentá-la por mais difícil que seja.

Precisamos de pessoas que sejam capazes também de mostrar a suas feridas, revelar os seus medos e confessar as suas fraquezas, para que percebamos que não somos os únicos que choramos e que às vezes temos vontade de desistir. Não se trata de provocar “felicidade” em função de uma tristeza alheia, mas de demonstrar a humanidade que há em nós, que faz coisas belas e grandiosas e também tem fraquezas, dores e angústias.

Assim, ter empatia é ter o coração aberto a outra vida que precisa de nós naquele momento. É saber que naquele lugar poderia ser eu, tu ou qualquer um. É ter a sensibilidade para perceber que não é porque uma determinada situação não nos envolve, que não é porque algo não aperta no nosso peito, que o outro não pode sentir o seu peito esmagado.

Ter empatia é entender que as pessoas são diferentes, sofrem por coisas diferentes, reagem às situações internas e externas de modo diferente, mas que, acima de tudo, são seres humanos que apesar das divergências fazem uma mesma coisa: sentem. Pois como diz Kundera:

"Não existe nada mais pesado que a compaixão. Mesmo nossa própria dor não é tão pesada quanto a dor co-sentida com outro, por outro, no lugar de outro, multiplicada pela imaginação, prolongada por centenas de ecos.""

Texto adaptado de Obvious

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