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Recortes & Go #7 - Aquele sobre Amizade



Faz já algum tempo que não voltava aos "recortes"... esta rubrica que partilha textos de outras publicações ou blogs andava um pouco adormecida ou por falta de inspiração ou então não.. talvez só porque o timing certo ainda não tinha chegado.

E como quando não avançamos com as coisas, a vida se encarrega de as fazer avançar por nós, hoje a Sara partilhou comigo o link para um artigo do Observador que era exatamente aquilo que eu precisava para retomar estes posts - a autoria é da Ana Cristina Marques e podem ler o texto todo aqui.

"Ter bons amigos é sinónimo de saúde física e mental. De felicidade também. Mas nem todas as amizades foram feitas para durar. Viver é perder e ganhar amigos. E mantê-los pode ser um desafio.

À pergunta “como manter uma amizade”, o Google disponibiliza 14.600.000 respostas, entre artigos publicados em meios internacionais, páginas de carácter duvidoso e fóruns que a internet ainda não desactualizou. À medida que vamos avançando na linha cronológica, é possível que laços que um dia julgámos inabaláveis escorreguem vida fora. Quantos de nós perderam contacto com amigos de infância ou com pessoas que, em diferentes momentos, foram das mais importantes? E quantos de nós mantiveram o grupo coeso que, volta e meia, ainda consegue reunir-se para um brunch domingueiro ou um copo ao final da tarde? Manter amizades ao longo da vida parece uma proeza.


Uma amizade duradoura depende essencialmente do respeito mútuo e da capacidade que um tem de desculpar e/ou compreender o outro (…) Ser amigo, é responder adequadamente às insuficiências dos outros, ter em conta as suas capacidades, atributos e limitações, e “não esperar dele aquilo que ele não pode dar” (…)

O segredo para que as relações se mantenham passa por sabermos dizer o que não gostamos, o que dá uma verdadeira hipótese ao outro de se explicar. Nunca vamos agradar a todos e não vamos ficar com todos os amigos durante toda a vida. Existe um processo de selecção. Há pessoas com quem é mais fácil manter a relação. As pessoas são muito diferentes mas, dentro das diferenças, as relações vivem do que existe em comum (…)

As relações de amizades que estabelecemos na infância são substancialmente diferentes das que se seguem vida fora. “Em miúdos, há contextos que nos unem, as relações são mais profundas, tem potencial para marcar. E temos tendência a alimentar as relações que nos marcam”, assegura Carolina Justino. A psicóloga diz ainda que, à medida que nos tornamos adultos, perdemos a espontaneidade. Em criança é relativamente fácil fazer amigos — na maior parte dos casos, basta responder afirmativamente à pergunta “Queres brincar comigo?”. “Os adultos pensam demais. Tornam-se complicados. Acho mesmo que devemos alimentar a criança que há em nós. A vida social é mais fácil quando mantemos a curiosidade de uma criança e temos facilidade em aceitar convites e novas experiências.” (…)



A forma como comunicamos uns com os outros alterou-se significativamente nos últimos anos. As redes sociais e os smartphones que permitem a sua utilização ajudaram a “espalhar os afectos”, dividindo-os entre muitas pessoas e emagrecendo amizades. O The New York Times escrevia em maio aquilo que já todos sabemos, mas que tendemos a esquecer: a quantidade de interacções aumentou substancialmente, mas a qualidade das mesmas diminuiu. Os longos telefonemas entre amigos pela noite dentro são, possivelmente, coisa do passado. E as saídas são agora interrompidas pelas InstaStories e pelos feeds que precisam de ser constantemente alimentados. (…)

Nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão sós, escreveu o Observador em Novembro do ano passado, às portas de mais uma edição da Web Summit em Portugal. “Não sabemos o que veio antes, se o uso de redes sociais ou a sensação de isolamento social”, chegou a dizer Elizabeth Miller, professora de Pediatria da Universidade de Pittsburgh, à BBC. Miller é coautora de um estudo que mostrou que passar mais de duas horas por dia em redes sociais duplica a probabilidade de alguém se sentir isolado. “Em termos de mortalidade, a solidão é uma assassina”, frase de Andrea Bonior, autora da obra “The Friendship Fix”.

Segundo um estudo recente realizado pela Red Cross, em parceria com a Co-op, mais de nove milhões de adultos no Reino Unido dizem sentir-se muitas vezes ou sempre sozinhos. O número avassalador levou Theresa May, primeira-ministra britânica, a nomear uma “ministra da solidão”.



“Poucos mas bons”, será a resposta mais vezes repetida quando a pergunta é “Quantos amigos tem?”. As amizades tidas como vitais, aquelas que têm um maior impacto na nossa saúde e na nossa felicidade, não se multiplicam. Para Robin Dunbar, psicólogo evolucionista da Universidade de Oxford, cada pessoa precisa de três a cinco amigos deste calibre para melhorar o seu bem-estar. (…) Este é o mesmo psicólogo que assegura que, em média, perdemos duas amizades quando entramos numa relação amorosa — o mesmo acontece relativamente a outras decisões importantes, como mudar de cidade ou ser promovido (…)

Em 2012, um artigo do The New York Times dedicava-se a explorar o motivo porque é tão difícil fazer amigos a partir dos 30 anos — a idade, meramente simbólica, pretende indicar o início da vida adulta e o começo de responsabilidades diárias que, mais e mais, afastam-nos da mesa de bar preferida, ao estilo “Foi Assim que Aconteceu”. (…) As prioridades mudam e as pessoas são bem mais criteriosas em relação aos amigos que querem ter/manter. (…) Segundo o artigo já citado, Carstensen sugere que as pessoas têm uma espécie de “alarme interno” que é acionado nos grandes momentos da vida, tal como celebrar 30 anos, que as deixa alerta — chega de exploração, está na hora de focar no aqui e agora (muito ao estilo mindfulness).

Como manter os amigos que valem a pena?

(…) a cola que mantém uma relação unida é a reciprocidade — já devolveu aquela chamada em falta? (…) Ser tolerante, perceber que as pessoas não são todas iguais e que, quando ficamos magoados, o essencial é falar com o outro é meio caminho andado para sermos considerados bons amigos. (…) Metermo-nos na pele do outro e sermos empáticos também são conselhos chaves. 

Mas talvez o mais importante seja arranjarmos tempo para os amigos e fazermos coisas em conjunto."

E este recorte é dedicado com carinho e um obrigado sincero aos bons amigos que tenho a sorte de ter. 

Vendo bem, acho que em vários pontos da minha vida passei por fases idênticas a que são relatadas neste artigo, mas com sorte, engenho e dedicação tenho tido o privilégio de manter pessoas especiais comigo, algumas delas desde os meus 5 anos de idade, outras de um passado muito recente - porque a minha teoria sobre as amizades foi sempre a mesma: as pessoas não se substituem, as pessoas acrescentam-se! 

Obrigada por também contribuírem para que eu seja esta Rita que sou hoje! Beijo giga minha "gente" do coração.

#GoRitaGo
#Recortes&Go

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